A triste Felicidade da prisão

gaiola

A dois passos de distância estava eu, da plena liberdade.

Mas na realidade, onde estava eu?

Tortuoso, deprimente e solitário é o caminho para a liberdade. E eu estava lá.

Mas onde estou eu agora? Cercado por ladrilhos estilhaçados, rodas que giram e malditas abelhas que zumbem repentinamente em meu ouvido.

Estava ou estou em um lugar melhor?

Apenas a plena liberdade pode gerar suavidade e calmaria, estado físico de algodão doce e sapatos de alvenaria. Somente lá encontro rios de chocolate.

Mas como ei de voltar a tais dois passos?

Nesses nunca mais estarei… Pois mesmo que volte para lá um dia, já não serei mais eu, serei uma nova pessoa.

O agora, que está em minhas mãos, usarei com sabedoria para me polir o suficiente a fazer-me usufruir com insensatez minha plena liberdade.

A Plena, liberdade… Usufruir com insensatez com uma palavra certinha? Agora, essa palavra é Plena, mas no período de insensatez será Absoluta.

“Como estás longe, minha querida Plena! Gostaria que estivesses perto de mim, porque saberia que estaria muito mais perto do que estou agora, de minha amante! Não te enciúmes da Absoluta! Pois como costuma acontecer, minha amante passará apenas os bons momentos comigo! Enquanto você terá passado os tortuosos e, isso fará com que nunca me esqueça de sua bela existência!”

Pensando por um lado, é bom estar preso… Traz-me segurança! Não posso sair dessa gaiola enferrujada que me aprisiona, mas também não posso morrer comido por uma raposa! Mas é melhor parar de pensar assim, pois em breve minha aventura começará, e não terei uma “gaiola enferrujada” sequer para me consolar.

Aqui vai um poema:

Peço perdão, pela minha falta de educação.

Eu sou um pássaro, e como muitos de vocês não devem ter pensado, uso calção!

Toda manhã comia um pão.

Ficava ele num lugar cheio de crianças sem educação.

Tão sem educação, que um dia tomei um beliscão!

Foi por uma menina, e oh! Como era mal seu coração!

Trancou-me ela quase que em um caixão!

E disse-me com essas palavras, em forma de canção:

“Passarinho, passarinho, seu nome será livrinho!

E não quero que penses que sou má!

Venho aqui para ajudar!

Enquanto estás nessa prisão,

Preparo-te para um mundo que nunca viu desde então!”

Todos os dias, a mesma canção.

Até que este hino passou a confortar meu coração!

O que será que queria esta menina com tanta aptidão?

Como podem ver, agora sei o que é. Meu nome agora é Livrinho, mas um dia será Livrão!

Espero que tenham apreciado este poema. Mas indo agora aos fatos. Há outro motivo que não lhes havia falado a princípio, que me faz querer ficar.

Essa garota, que diz com tanta certeza sobre esta bela liberdade que irei enfrentar, conseguiu me transformar! Amo-a mais que meu calção! Ela se tornou minha amiga! E agora o partir, já não fará mais sentido para mim!

Mas como dizer-lhe que todo o trabalho que ela teve para cuidar de mim e me preparar foi em vão?

É por esse motivo, meus amigos, que tomo minha decisão final! Partirei amanhã bem cedo, pela saída que encontrei há algum tempo, e a deixarei sentir-se realizada pelo bem que me fez, mesmo que na realidade, esteja eu quebrado por inteiro!

A conclusão que tiro aqui, é mais tola que sensata, para alguns. Mas a prisão liberta, e a liberdade… Mata!

Camila Matias  12/05/2014  17:04

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