Visão geral sobre o pensamento de Foucault

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Michel Foucault

Nascido em Poitiers, na França, em 1926, Foucault vem de uma família de médicos. Estudou filosofia em École Normale Supérieure, logo após a Segunda guerra mundial. Passou um período na Suécia, depois na Polônia e Alemanha, até retornar à França em 1960. Com a História da loucura, estudo que afirma que a separação entre loucura e sanidade é uma construção social, recebeu um doutorado. Em 1968, Paris passou por um período de greves estudantis, momento no qual Foucault envolveu-se no ativismo político e continuou como ativista e professor pelo resto da vida.

Foucault está inserido na área da epistemologia, também chamada de filosofia do conhecimento, sendo um ramo da filosofia que trata da natureza, das origens e da validade do conhecimento. Ele faz uma abordagem sobre a arqueologia discursiva. Analisando-o dentro do contexto histórico-filosófico, temos no final do século XVIII Immanuel Kant lançando as bases para o modelo de “homem” do século XIX. Em 1859, Darwin provoca uma revolução no modo como interpretamos nós mesmos com A origem das espécies. Em 1883, Nietzsche anuncia que o homem é algo a ser superado, em Assim falou Zaratustra.

Foucault anuncia que o homem é uma invenção recente. Nós temos a ideia de “homem” como uma ideia natural e eterna. Entretanto, analisando a arqueologia do nosso pensamento, Foucault conclui que a ideia de “homem” surgiu como objeto de estudo no início do século XIX. Essa conclusão aparece em As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas.

Temos um conjunto de regras, em sua maioria inconsciente, fixadas pelas condições históricas em que nos encontramos, que formam nosso discurso, tendo por discurso a maneira como falamos e pensamos sobre as coisas. No entanto, essas regras e condições mudam com o tempo, assim temos também a transformação dos discursos. É por isso que Foucault toma por base de sua análise a arqueologia, pois ela se faz necessária na medida em que se pretende entender o “pensamento” atual. Não podemos aceitar os conceitos atuais, como o de natureza humana, como sendo eternos e que somente uma “história das ideias” é suficiente para traçar sua genealogia. Não podemos supor que as ideias que temos hoje podem ser aplicadas a qualquer ponto da história.

Essa ideia de “homem” foi fundada com a filosofia de Kant, quando este revolucionou o pensamento filosófico, trocando a questão de “por que o mundo é como é?” para “por que vemos o mundo como vemos?”. Segundo Foucault, essa ideia que temos de “homem” surgiu no começo do século XIX, com o nascimento das ciências naturais, e é para ele paradoxal, pois nos vemos como objetos no mundo, mas também como sujeitos que estudam o mundo.

Assim, ele sugeriu que essa ideia além de ser uma invenção recente, também pode estar perto do fim. Podemos obter indícios disso com os avanços na computação e nas interfaces homem-máquina, e com filósofos que, tendo domínio da ciência cognitiva, isto é, o estudo científico da mente ou da inteligência, questionam a natureza da subjetividade.

O pensamento de Foucault foi fortemente influenciado por Freud, Marx e Nietzsche, principalmente pela leitura de Nietzsche feita por Heidegger. Ele interpreta Nietzsche como o grande contestador da tradição metafísica no século XIX, em uma leitura que marcará as leituras subsequentes de Nietzsche, principalmente na linha francesa.

Partindo para um resumo de suas obras, temos em História da loucura, uma análise arqueológica da formação do nosso conceito de loucura e da forma de tratá-la. A arqueologia como método de análise do discurso é baseada numa tentativa de mostrar os elementos implícitos do objeto do discurso e o conjunto de práticas que ele estabelece. Foucault realiza uma arqueologia do saber médico e sua formação na modernidade em Nascimento da clínica e em As palavras e as coisas, uma arqueologia das ciências humanas. É em Arqueologia do saber que ele discute a arqueologia como método de análise crítica do discurso. Foucault introduz a noção de genealogia em Vigiar e punir, e a retoma e desenvolve em Microfísica do poder e na História da sexualidade. Ele se inspira na filosofia de Nietzsche sobre a genealogia da moral, no qual este analisa a origem dos valores morais vinculados ao pensamento socrático-cristão. A genealogia é, portanto, uma análise histórica da formação dos discursos, relacionando-os com o exercício do poder num determinado contexto social.

Podemos definir seu trabalho mais como história das ideias do que como vinculado à filosofia em seu sentido tradicional, já que envolve um conhecimento profundo de história, análise documental, pesquisa de campo, que não pertencem à metodologia filosófica. É exatamente com esse tipo de análise que vemos em Foucault sua natureza interdisciplinar e seu rompimento com as fronteiras tradicionais das disciplinas e áreas do saber.

Bibliografia

MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia, 14ª reimpressão, 2013. Editora Zahar, páginas 276, 277.

Vários autores. O livro da filosofia, 8ª reimpressão, 2013. Editora Globo, páginas 302, 303.

Havi – a

Havia uma espuma rosa nos pés da árvore

Havia um balanço,

um céu, havia

Havia um frio,

uma grama, havia

Havia um abraço antes,

no meio e no fim da dança, havia

Havia a dança acontecendo

com olhos bem abertos, havia

Havia porém um fim que não havia

Uma corneta a uma distância que nem existia

Havia a saudade misturada com fita de cetim azul

E as lágrimas que esperavam o existir vermelho daquele havia

Havia, havia, havia o não-havia

E a parte mais bonita do não-havia, é que ele não existia

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Só a espuma rosa fazendo cócegas nos pés da árvore…

(Ps. Devia ter um caracol velho por lá também, mas quem sabe se ele era real)