Em baixo da cama, sempre

Tsc, Tsc, Tsc…> Que coisa estranha. O que pode ser isso? Não Paro de ouvir> Tsc, Tsc, Tsc…> Pode ser tantas coisas. Coisas que eu nunca saberei o que são exatamente se apenas ouvir> Tsc, Tsc, Tsc…> Agora são ratos, baratas, formigas abobadas, o que são pra mim, mas> Tsc, Tsc, Tsc…> O que são? De onde vem?> Tsc, Tsc, Tsc…> Vêm de um futuro incerto e distante, mas… O > Tsc> que > Tsc> são > Tsc> ? > Tsc, Tsc, Tsc…> Onde você acha que escondeu?

Louça

Quando te li feito título na página 7002 da Enciclopédia Mirador Internacional pensei que fosse algum homem importante da história do mundo; mas quando comecei a ler a descrição, descobri que mesmo que também derivada do barro era melhor que isso. Era apenas a louça que se quebra com o escorregão do sabão.

– Em algum lugar não muito distante da Terra.

Uma cordinha mágica com um duende Duendezinho faminto.

        O duendezinho maluco andando pela linha imaginária, pensou. O duendezinho chorou. O duendezinho viu um pé voando e moedas de ouro jorrando do olho que estava no pé. O olho piscava e mesmo assim jorrava. O duendezinho ouviu um som. Um som com gosto de chocolate. Chocolate e cachorro molhado. Chocolate e cachorro fofamente molhado. O duendezinho sentiu um cheiro de poço artesanal. O duendezinho pulou e logo espirrou. O duendezinho segurando apenas com uma mão a linha imaginária sentiu um vento calafrioso. O duendezinho tremeu. E então tudo parou. duendezinho chorou. E desenhou então, tudo que passava em seu coração. duendezinho se tornou Duendezinho. Ele se encontrou, e numa corda mágica pisou. E só então, dançou.

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Para Não Sei

Para Não Sei
Piracicaba, 03 de junho de 2014

Minha querida Marisca,

Como deve ser bom para você poder ter uma janela do lado certo (do lado por onde o sol nasce). Essa manhã enquanto caminhava, encontrei um esgoto e percebi o quão desafortunada fui por ter-me deixado. És uma danada, se quer saber.
Peço que deixe essas asneiras de lado e venha me visitar logo, senão temo que terei que encomendar um duende e enviá-lo por sedex pra você para que ele te acerte com uma garrafa (não de vidro, serei boazinha). Prometo tentar enviar junto com ele 14 beijos – acho que dá pra duas semanas, não? – só não afirmarei com certeza pelo peso dos meus beijos que estarão carregados de lágrimas. Espero que entenda se falhar, não tenho dinheiro para pagar encomendas pesadas.
De sua cara amiga
Não Sei 2

 

Racionalize

A pena faz cócegas no Universo.

Mas és um Universo absoluto ou projetado? O que és, oh Grande Universo?

Nesse pequeno diálogo que faço contigo, não tenho certeza de nada. Talvez não me respondas as questões que vim aqui para esclarecer.

As cordas do meu violão me lembram das tuas… Mas cordas? Por que cordas?

Por que não serpentes mortas estiradas e lisas?

Oh, Grande Universo… O que tens é medo? Medo de quê? Do veneno?

universoO que acontece com você, oh meu pequeno Grande Universo? Deixou-se ser moldado pela pequena Terra de homens mortais também?

Não faças isto! És grande demais para essa limitação… Onde está tua coragem, grande e velho ancião?

Deixe que as cócegas continuem!

Por que nos permite ver-te Grande Universo? Por que se limita ao nosso telescópio?

Ah! És mau, Sr. Universo… Deixa-nos ver algumas partes de ti para apenas aguçar nossa curiosidade e depois, ri sozinho, pois é algo que nunca ao menos conheceremos…

Como sabes que um dia não conseguiremos contemplar tudo que está em você?

Aliás… Pergunta que não quer calar… Você tem um fim? (talvez sabendo disso possamos encontrar teu começo).

Tens um fim temporal e espacial, Sr. Universo?

Por que não nos conta? Por que nos mata ao estarmos nus, soltos em você?

Por que és tão cruel, querido Universo…?

Por que confunde os homens com tuas risadas? Essas cócegas não cessarão mesmo… Então por que continuas a rir? Relaxe, e deite… Aquieta-te dos risos enquanto continuamos com as cócegas… Permita-nos sentir-te como tua esposa…

Revela-te à nós, como uma raposa…

 

Camila Matias     19/05/2014     19:44

 

A triste Felicidade da prisão

gaiola

A dois passos de distância estava eu, da plena liberdade.

Mas na realidade, onde estava eu?

Tortuoso, deprimente e solitário é o caminho para a liberdade. E eu estava lá.

Mas onde estou eu agora? Cercado por ladrilhos estilhaçados, rodas que giram e malditas abelhas que zumbem repentinamente em meu ouvido.

Estava ou estou em um lugar melhor?

Apenas a plena liberdade pode gerar suavidade e calmaria, estado físico de algodão doce e sapatos de alvenaria. Somente lá encontro rios de chocolate.

Mas como ei de voltar a tais dois passos?

Nesses nunca mais estarei… Pois mesmo que volte para lá um dia, já não serei mais eu, serei uma nova pessoa.

O agora, que está em minhas mãos, usarei com sabedoria para me polir o suficiente a fazer-me usufruir com insensatez minha plena liberdade.

A Plena, liberdade… Usufruir com insensatez com uma palavra certinha? Agora, essa palavra é Plena, mas no período de insensatez será Absoluta.

“Como estás longe, minha querida Plena! Gostaria que estivesses perto de mim, porque saberia que estaria muito mais perto do que estou agora, de minha amante! Não te enciúmes da Absoluta! Pois como costuma acontecer, minha amante passará apenas os bons momentos comigo! Enquanto você terá passado os tortuosos e, isso fará com que nunca me esqueça de sua bela existência!”

Pensando por um lado, é bom estar preso… Traz-me segurança! Não posso sair dessa gaiola enferrujada que me aprisiona, mas também não posso morrer comido por uma raposa! Mas é melhor parar de pensar assim, pois em breve minha aventura começará, e não terei uma “gaiola enferrujada” sequer para me consolar.

Aqui vai um poema:

Peço perdão, pela minha falta de educação.

Eu sou um pássaro, e como muitos de vocês não devem ter pensado, uso calção!

Toda manhã comia um pão.

Ficava ele num lugar cheio de crianças sem educação.

Tão sem educação, que um dia tomei um beliscão!

Foi por uma menina, e oh! Como era mal seu coração!

Trancou-me ela quase que em um caixão!

E disse-me com essas palavras, em forma de canção:

“Passarinho, passarinho, seu nome será livrinho!

E não quero que penses que sou má!

Venho aqui para ajudar!

Enquanto estás nessa prisão,

Preparo-te para um mundo que nunca viu desde então!”

Todos os dias, a mesma canção.

Até que este hino passou a confortar meu coração!

O que será que queria esta menina com tanta aptidão?

Como podem ver, agora sei o que é. Meu nome agora é Livrinho, mas um dia será Livrão!

Espero que tenham apreciado este poema. Mas indo agora aos fatos. Há outro motivo que não lhes havia falado a princípio, que me faz querer ficar.

Essa garota, que diz com tanta certeza sobre esta bela liberdade que irei enfrentar, conseguiu me transformar! Amo-a mais que meu calção! Ela se tornou minha amiga! E agora o partir, já não fará mais sentido para mim!

Mas como dizer-lhe que todo o trabalho que ela teve para cuidar de mim e me preparar foi em vão?

É por esse motivo, meus amigos, que tomo minha decisão final! Partirei amanhã bem cedo, pela saída que encontrei há algum tempo, e a deixarei sentir-se realizada pelo bem que me fez, mesmo que na realidade, esteja eu quebrado por inteiro!

A conclusão que tiro aqui, é mais tola que sensata, para alguns. Mas a prisão liberta, e a liberdade… Mata!

Camila Matias  12/05/2014  17:04

Quântica mental envelopada em busca de desenvelopação

O labirinto, Salvador Dalí

O labirinto, Salvador Dalí

Ter a certeza, tendo a certeza.

O que passa pela cabeça certamente inquieta.

A inquietude inquieta o inquietado, e nessa inquietação aliterada e pressuposta há somente palavras. Palavras de sentidos e de sentidos e de sentidos. Sentidos que enraivecem ao amar e entristecem ao tecer a teia do desconhecido.

Aqui, ali, lá. Em nenhum lugar. Em todos.

E o pano encharcado e molhado que agora está revirado e torcido cada vez mais se desfaz pelo som do sino petulante e misterioso.

Não há lugar, não há sentido. No meio de tantos sentidos o sentido que se tem é que não há sentido algum. Onde está? Não está.

E no cantarolar da noite sinestésica e paralisante, tendo apenas o sentido sem sentido, e é claro, o que todos precisam, um ser canino, existe o inexistente; existe o respingado acúmulo de moedas rasgadas em nome da lei e palavras ditas por sufoco. O que sinto ninguém sente. O que sinto, eu não sinto.

Moça à janela, Salvador Dalí

Moça à janela, Salvador Dalí

Amortecido e ao mesmo tempo doído, o arrepio sagaz e ligeiro, a espera e a inquietude, a janela fechada e a janela aberta, vem com um toque de aroma de damas da noite negras como o dia e claras como a noite.

Com um balde eu moverei o mundo.

Entrelaçado, entrelaço, entrelinhas, estilhaços. ESTRELAS.

O fácil já é difícil pelo mudado e finito espaço que damos à mente. Não há lugar. Não há liberdade. Há aquela voz macia que sobe e gira e que depois de dançarmos com ela a ignoramos.

Há o que há e ao mesmo tempo não há.

Há a culpa misturada com vinho, vinho levedurado e borbulhante. O vinho que é bebido é morto pelo veneno do ser humano, e o que se pensa, não há. A morte não mata a morte. A morte mata o morto que já está morto. O morto eu amo. E o açúcar que pertencia a esta pessoa agora não há. As fileiras de formigas pelo seu corpo, não há. Há lembranças, há saudades, não há.

E se o mergulhar no interior da escuridão não for suficiente, o que será? A dança das estrelas por baixo dos meus pés faz cócegas, faz arrepios, faz sensações que não há aqui. O toque em uma de suas douradas pontas faz um fio de sutileza atravessar o corpo e a alma e traz o não há à tona.

Criança geopolitica observando o nascimento do novo Homem, Salvador Dalí

Criança geopolitica observando o nascimento do novo Homem, Salvador Dalí

Bang bang! As cócegas agora estão na barriga, mas essa cócega de morte não há.

Há o pequeno barulho delicado e sedutor. Não há.

Gota por gota e corte por corte a ferida aumenta e aumenta. E não diminui. Por que quando for diminuir, não há mais.

O profundo traz quietude. Ah! A quietude! Esta! A encontrada nas profundezas aquáticas!

A quietude que traz o cheio e que traz o …

 

Camila Matias 09/05/14  23:39

Toma essa Hitler!

Muitas pessoas veem as revistinhas do Capitão América apenas como um incentivo e uma forma de entrar na cabeça dos jovens para que se alistassem na época da 2ª GM. E é óbvio que estão certos. Por trás desse personagem estava todas as maneiras possíveis para se transmitir patriotismo aos americanos. Mas parando um pouco de ver apenas essa parte de “interesses”… Elas causaram um impacto muito grande… Eles conseguiram transformar o governo Hitlerista num monstro que “se você cortar a cabeça crescerá duas no lugar”. Domável apenas para o super patriota, antes magro, Steve Rogers, que apenas com sua coragem provou bravura a ponto de se tornar, então forte, Capitão América.
O interessante é que eles não se voltaram contra o Hitler (teoricamente, sim) mas contra o Caveira Vermelha, que na verdade era fiel à Hitler, mas depois se tornou fiel à HYDRA somente…. (“HEIL HYDRA!” – ~imaginando os carinhas gritando isso com o braço levantado, rsrs). Talvez pra mostrar que, na verdade, a fidelidade das pessoas à Hitler era supérflua…
O sacrifício do Capitão acho que é um dos mais patriotas que existe, se não o mais… Ele não havia se declarado nenhuma vez à sua amada (diretamente, não) e decidia morrer pelo seu país, que quando era um homem qualquer não aceitava sua “mera” participação no exército… A sorte dele foi encontrar pessoas que olham o interior antes do exterior… Como sua “girlfriend”, a agente Carter (uma das melhores da S.H.I.E.L.D., na sua época), e o doutor responsável pela criação do C.A., Dr. Erskine.

Capitão América

Capitão América

 

A árvore da vida, a vida da árvore

Assim como a árvore cresce e vai espalhando seus ramos por todos os lados, em sua busca constante pela liberdade, somos nós. A seiva bruta, transportada pelo xilema, é fotossintetizada, tornando-se seiva elaborada, que nutre a planta e permite o seu crescimento. Dessa mesma forma, os sonhos são sintetizados pela nossa mente, nutrindo nossa alma. Entretanto, quando estamos plantados em terreno fértil, esses ideais que tanto enriquecem o solo, são a própria causa da seca fisiológica. Vamos definhando, secando aos poucos, e a única certeza que temos é a morte. E mesmo que viéssemos a crescer e a nos tornar uma Árvore de Tule, nem os sonhos, nem os ramos, e a busca pela fuga da imobilidade, seriam suficientes para nos tirar do lugar. E ainda assim queremos viver, e nossa única esperança é sonhos, nossa seiva bruta… Justamente aquela que pode nos tirar a vida.

 

Arvorear

Cricket no pecado


Não é uma folha.
Não é o que, flutuando, passa sem deixar marcas. Não é aquilo que transmite apenas a sensação do estar.
Isso é o que é. E é o que? Uma bolha de sabão, que ainda suave toca a pele e estoura trazendo sentimentos de arrepio e insensatez… É aquilo que após o toque, mesmo enquanto parte, causa o vazio, pois não apenas estava mas “era” onde estava.
E enquanto está longe, vem a lembrança dos momentos sentidos, surreais e risonhos que apenas funciona com o toque.
Quando uma se deita aqui, a outra se deita lá. Sim. O que uma sente, a outra sente também. A dor que uma sente, a outra sente também. E essa dor que consome o restante do delicado toque que um dia ocorreu, não tem fim enquanto existe a distância.
Mas eis o que há de belo! A distância está. Nós, somos!
A distância estando, não estará mais. Mas nós, sendo, seremos e seremos. Como um bambolê que se formou ao longo de muita construção até chegar ao ponto de não ter fim.
Essa pequena borboleta, ao qual me toca, é única, pois dentre tantas somente esta passa por diversas metamorfoses! Por quantas passou e por quantas ainda passará? Nunca saberei, nem ao mesmo ela saberá… Mas quando a última transformação terminar, terá as asas mais lindas que já foram vistas, ou imaginadas…
Qual é o meu nome? Meu nome é o dela e o dela é o meu…
A distância mais uma vez está, mas o que ainda posso sentir é o arrepio do amor, e sentir isso, é saber que você também o está sentindo!