Quântica mental envelopada em busca de desenvelopação

O labirinto, Salvador Dalí

O labirinto, Salvador Dalí

Ter a certeza, tendo a certeza.

O que passa pela cabeça certamente inquieta.

A inquietude inquieta o inquietado, e nessa inquietação aliterada e pressuposta há somente palavras. Palavras de sentidos e de sentidos e de sentidos. Sentidos que enraivecem ao amar e entristecem ao tecer a teia do desconhecido.

Aqui, ali, lá. Em nenhum lugar. Em todos.

E o pano encharcado e molhado que agora está revirado e torcido cada vez mais se desfaz pelo som do sino petulante e misterioso.

Não há lugar, não há sentido. No meio de tantos sentidos o sentido que se tem é que não há sentido algum. Onde está? Não está.

E no cantarolar da noite sinestésica e paralisante, tendo apenas o sentido sem sentido, e é claro, o que todos precisam, um ser canino, existe o inexistente; existe o respingado acúmulo de moedas rasgadas em nome da lei e palavras ditas por sufoco. O que sinto ninguém sente. O que sinto, eu não sinto.

Moça à janela, Salvador Dalí

Moça à janela, Salvador Dalí

Amortecido e ao mesmo tempo doído, o arrepio sagaz e ligeiro, a espera e a inquietude, a janela fechada e a janela aberta, vem com um toque de aroma de damas da noite negras como o dia e claras como a noite.

Com um balde eu moverei o mundo.

Entrelaçado, entrelaço, entrelinhas, estilhaços. ESTRELAS.

O fácil já é difícil pelo mudado e finito espaço que damos à mente. Não há lugar. Não há liberdade. Há aquela voz macia que sobe e gira e que depois de dançarmos com ela a ignoramos.

Há o que há e ao mesmo tempo não há.

Há a culpa misturada com vinho, vinho levedurado e borbulhante. O vinho que é bebido é morto pelo veneno do ser humano, e o que se pensa, não há. A morte não mata a morte. A morte mata o morto que já está morto. O morto eu amo. E o açúcar que pertencia a esta pessoa agora não há. As fileiras de formigas pelo seu corpo, não há. Há lembranças, há saudades, não há.

E se o mergulhar no interior da escuridão não for suficiente, o que será? A dança das estrelas por baixo dos meus pés faz cócegas, faz arrepios, faz sensações que não há aqui. O toque em uma de suas douradas pontas faz um fio de sutileza atravessar o corpo e a alma e traz o não há à tona.

Criança geopolitica observando o nascimento do novo Homem, Salvador Dalí

Criança geopolitica observando o nascimento do novo Homem, Salvador Dalí

Bang bang! As cócegas agora estão na barriga, mas essa cócega de morte não há.

Há o pequeno barulho delicado e sedutor. Não há.

Gota por gota e corte por corte a ferida aumenta e aumenta. E não diminui. Por que quando for diminuir, não há mais.

O profundo traz quietude. Ah! A quietude! Esta! A encontrada nas profundezas aquáticas!

A quietude que traz o cheio e que traz o …

 

Camila Matias 09/05/14  23:39

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