Iluminismo italiano

O iluminismo italiano tem características comuns aos outros iluminismos (francês, inglês, alemão), como o culto da razão, a crítica à escolástica, a postura crítica diante da religião e da autoridade política. A Itália passou por um processo de pré-iluminismo, por causa das Academias nas quais se procuravam novos métodos.

Alguns acreditam que o iluminismo era fundamentado no ateísmo e que muitos dos que escreviam sobre teologia faziam para escapar das perseguições. Mas há aqueles que consideram o iluminismo compatível à religião.

Muratori era muito religioso, mas era iluminista por sua confiança na razão e pelo seu senso crítico, o qual chamava de “bom gosto”. Sobre isso, ele diz: “entendemos por bom gosto conhecer e poder avaliar o que é defeituoso, imperfeito ou medíocre nas ciências ou nas artes, para evitá-lo, e o que é o melhor, ou perfeito, para segui-lo a qualquer preço”. Muratori, assim como Galileu, dizia que não é preciso se basear na autoridade de nenhum homem para buscar o verdadeiro, mas sim, confiar em seu próprio intelecto.

Lodovico Muratori

Lodovico Muratori

Muratori defendia que o saber deve servir para melhorar os homens, tanto material quanto espiritualmente, e valoriza a contemplação a Deus. Entretanto diz que os homens devem ao mesmo tempo, viver para Deus e não deixar de se relacionar com os homens, sendo útil a eles.

Já dizia que a razão é limitada, e por isso, é fundamental ao homem a religião. Contudo, entendia por religião o “crer, adorar, amar e obedecer a Deus na forma que Cristo nos prescreveu”. Sendo a caridade o fundamento da religião cristã, não apenas pregava-a, mas a praticava e constantemente evocava esse mandamento, levantando sua importância.

Antonio Genovesi, outro filósofo iluminista, defendia a liberdade de filosofar, sendo ela uma liberdade em relação a toda autoridade humana. Ele teria praticado um “ecletismo programático”, tendo por eclético o que usa o senso crítico, aquele chamado por Muratori de “bom gosto”.

Era antiaristotélico, mas não por isso adepto à filosofia de Platão, que está distante da sua concepção de que qualquer teoria deve ser consolidada na experiência. Assim como Muratori, gostava da teologia iniciada por Newton, aquela que busca na física e em teorias científicas motivos para demonstrar a existência de Deus.

Por seu ideal de um saber útil à humanidade, dedicou-se ao estudo de economia, enquadrando-a numa concepção de vida em que a justificativa última é dada pela filosofia e pela religião. (ver sinônimos) A filosofia de Genovesi deu origem a duas vertentes distintas, uma corrente mais utópica e outra “ligada a problemas concretos e imediatos”.

Da primeira corrente, temos como um dos representantes Filangieri. Ele defendia que as leis devem responder às exigências da razão, e para isso, precisavam ter por princípio a filosofia. Portanto, era contrário aos fundamentos feudais, principalmente a liderança hereditária. Da segunda, temos Delfico, que também criticava o feudalismo, principalmente o controle político que era exercido pelo proprietário da terra. Seus ideais eram apoiados numa concepção filosófica materialista e irreligiosa.

Outro iluminista italiano foi Beccaria, que se baseava na filosofia dos enciclopedistas, fundamentalmente materialista e utilitarista. Sobre a legislação, diz que sua finalidade deveria ser “a máxima felicidade para o maior número de pessoas”. Ele é contra a tortura e a pena de morte, já que defendia que as penas têm como objetivo impedir que o cidadão delinquente cause novos danos à sociedade, e convencer os demais a não fazer o mesmo.

Dos assuntos filosóficos discutidos pelos iluministas, surgiu aquele que visava saber se prevaleciam os prazeres ou os sofrimentos. Seus representantes são La Mettrie, com uma visão mais otimista, e Maupertius, com uma pessimista.

Referências:

ROVIGHI, Sofia Vanni. História da filosofia moderna. Edições Loyola, 3ª edição, 2002.