Introdução à ética de Sócrates

Sócrates

Sócrates

A filosofia de Sócrates, diferente dos filósofos pré-socráticos, tinha como objetivo o homem e o conhecimento deste, deixando de lado assim, a busca por conhecer o cosmos e a physis. Sendo assim, Sócrates foi considerado o pai da ética, pois foi o primeiro a se aprofundar nesse assunto. Parte de sua filosofia era a construção do homem, tendo então como visão a constituição de Virtudes fundamentais para que o homem atingisse a plena felicidade. Algumas de suas principais virtudes apresentadas por ele como fundamentais são a justiça, que apenas poderia ser conhecida depois que se soubesse o que é a injustiça; a modéstia, que era a capacidade de ser bom no que faz naturalmente e sem se vangloriar; entre outros.

Importante prática de Sócrates que representava sua filosofia era a prática da Maiêutica, que através da dialética, “paria” o conhecimento das pessoas. Um exemplo dessa prática é o diálogo que Sócrates tem com o escravo Teeteto, em que ele explica ao escravo o processo da Maiêutica que gostaria de aplicar nele, pois a muito já havia percebido que algo na alma deste estava a ponto de vir à luz.

Sobre a dialética de Sócrates tem-se como exemplo o livro Êutifron de Platão. Neste livro há o diálogo entre Êutifron e Sócrates em que estes discutem sobre a piedade. Vemos que, com um mesmo assunto, Sócrates desenvolve a conversa a tal ponto que Êutifron “desiste” de discutir sobre isso e dá desculpas para ir embora. Uma frase boa de Sócrates para representar este livro, seria “Só sei que nada sei”, pois nesse desenrolar da conversa, o que realmente Sócrates quer mostrar é a ignorância do homem, principalmente neste caso em que Êutifron era soberbo e orgulhoso.

 

Ética sofista

Sócrates e Hípias, o sofista

Sócrates e Hípias, o sofista

A filosofia sofista era baseada no relativismo. Cada pessoa, seja pela cultura ou sociedade que vive, contém as suas ideias em que estas se tornam verdades para eles, assim como o ideal de uma outra pessoa, também será uma verdade. Sendo assim, não existe verdade absoluta, objetiva, mas sim uma verdade subjetiva, em que cada um tem a sua.

O trabalho dos sofistas era ensinar jovens sobre política e a arte da retórica, cobrando taxas para aplicar essas aulas. Foram considerados por muitos críticos como prostitutas do saber ou mercenários do saber, pois cobravam de algo que deveria ser dado gratuitamente.

A partir de sua filosofia, vê-se que os sofistas tinham por ética, algo também relativo, mesmo dentro de uma mesma sociedade. Enquanto para alguns era correto se fazer uma determinada coisa, para outros não era.

Ética socrática

Sócrates tinha por visão o objetivismo. Para ele, existia uma Verdade Universal e para se descobrir essa verdade era preciso ter uma vida moral, podendo-se ver isso através das Virtudes antes mencionadas. Por essa razão, Sócrates criticou grandemente os filósofos sofistas, em que tinham uma filosofia ética totalmente contrária a de Sócrates. Se por exemplo fosse pago aos sofistas que afirmassem que uma coisa era verdade, mesmo que não fosse, eles o fariam, pois acreditando em verdades relativas, tudo que se afirmasse estaria correto.

Sören A. Kierkegaard

Sören A. Kierkegaard

Para o filósofo Kierkegaard, que se baseou muito em Sócrates, o considerava irônico, ironia no sentido de fazer a aporia por satisfação pessoal. Atentava em Sócrates a comparação deste com Cristo, em que ambos não deixam nada escrito, possuem discípulos e morrem de forma trágica e significativa. Em muitas características se assemelham Sócrates de Kierkegaard, como pela própria ética, porém se diferem no sentido de alcançar a verdade por seus próprios esforços, que enquanto Sócrates crê nessa possibilidade, Kierkegaard não.

Vê-se que a base da ética socrática é o autoconhecimento. É poder se conhecer subjetivamente a ponto de conseguir entender e praticar a Verdade objetiva. Sendo assim, defendia a frase: “Conhece-te a ti mesmo”.

Introdução à ética de Nietzsche

Tragédia grega, conflito entre razão e emoção

Tragédia grega, conflito entre razão e emoção

Nietzsche, o filósofo do martelo, é conhecido por romper com a filosofia tradicional que visava até então, propondo um novo estilo filosófico que contrapõem a racionalidade filosófica e a moral cristã. Ele foi um grande crítico de Sócrates e da figura de Cristo, principalmente por conta dos valores morais, que afirmava serem instrumentos que os fortes inventaram para submeter e controlar os fracos.

Sua crítica tem início no surgimento da filosofia. A tragédia grega era a representação do equilíbrio entre a razão e a emoção. Esse equilíbrio dava-se através do conflito entre os deuses Apolo, deus da música e da arte, racional, intelectual, estilístico e moderado, e Dionísio, deus do vinho, inebriador dos sentidos humanos, tomando-os de prazer e libertando-lhes os instintos. Para Nietzsche, o homem era a ligação entre essas duas potências (razão e emoção), porém, Sócrates interpretou a arte trágica como irracional, e assim, o racionalismo passou a ser mais valorizado. Quando a razão socrática venceu, os deuses morreram. Essa é a maior crítica de Nietzsche a Sócrates, e a partir dessa crítica, propõe seu novo modo de filosofar, já que afirma que a filosofia é o resultado da relação do homem com a natureza, e que jamais deveríamos ter nos afastado dela.

 

Ética kantiana

Immanuel Kant

Immanuel Kant

A ética de Kant é baseada na busca de uma lei universal. Para saber se uma ação é moral ou não, primeiro é necessário se perguntar qual é a regra que seguiríamos ao realizar uma determinada ação. Depois, é necessário perguntar se estaríamos dispostos que esta regra fosse utilizada por todas as pessoas em todas as circunstâncias e sem exceção (tornando-se lei universal). Se a resposta for sim, então a ação é moralmente permitida; se não, moralmente proibida.

Somos tentados a abrir exceções a nosso favor, porque pensamos nas consequências delas, e nem sempre são boas (a nós, claro). Entretanto, não podemos ter certeza das consequências de nossas ações. Segundo Kant, é melhor evitar o mal conhecido, pois ainda que as consequências sejam más, estaremos justificados, pois cumprimos o nosso dever moral.

 

Ética nietzschiana

Friedrich Nietzsche

Friedrich Nietzsche

Nietzsche propôs uma nova abordagem sobre a genealogia moral, a formação histórica dos valores morais. As concepções morais são elaboradas pelos homens, a partir de interesses humanos. E as religiões têm papel fundamental nisso, pois impõem valores humanos como sendo produtos da “vontade de Deus”. Ele chegou à conclusão de que não existem noções absolutas de bem e mal. Afinal, se os valores morais são produto histórico-cultural, logo, também são mutáveis.

A grande crítica de Nietzsche às éticas socrática, kantiana e cristã, é a de que estas são “morais de rebanho”. O conceito de ética universal coincide com os preceitos de uma religião que tenta controlar as paixões e assim, homogeneizar os homens. A individualidade, tão valorizada por Nietzsche, acaba sendo diluída no meio do rebanho.

Jesus, o Cristo

Jesus, o Cristo

Nietzsche busca a “transmutação de todos os valores”, questionando o conceito de bem e mal em busca de novos valores “afirmativos da vida”, como a vontade, a criatividade e o sentimento estético.