Introdução à ética de Nietzsche

Tragédia grega, conflito entre razão e emoção

Tragédia grega, conflito entre razão e emoção

Nietzsche, o filósofo do martelo, é conhecido por romper com a filosofia tradicional que visava até então, propondo um novo estilo filosófico que contrapõem a racionalidade filosófica e a moral cristã. Ele foi um grande crítico de Sócrates e da figura de Cristo, principalmente por conta dos valores morais, que afirmava serem instrumentos que os fortes inventaram para submeter e controlar os fracos.

Sua crítica tem início no surgimento da filosofia. A tragédia grega era a representação do equilíbrio entre a razão e a emoção. Esse equilíbrio dava-se através do conflito entre os deuses Apolo, deus da música e da arte, racional, intelectual, estilístico e moderado, e Dionísio, deus do vinho, inebriador dos sentidos humanos, tomando-os de prazer e libertando-lhes os instintos. Para Nietzsche, o homem era a ligação entre essas duas potências (razão e emoção), porém, Sócrates interpretou a arte trágica como irracional, e assim, o racionalismo passou a ser mais valorizado. Quando a razão socrática venceu, os deuses morreram. Essa é a maior crítica de Nietzsche a Sócrates, e a partir dessa crítica, propõe seu novo modo de filosofar, já que afirma que a filosofia é o resultado da relação do homem com a natureza, e que jamais deveríamos ter nos afastado dela.

 

Ética kantiana

Immanuel Kant

Immanuel Kant

A ética de Kant é baseada na busca de uma lei universal. Para saber se uma ação é moral ou não, primeiro é necessário se perguntar qual é a regra que seguiríamos ao realizar uma determinada ação. Depois, é necessário perguntar se estaríamos dispostos que esta regra fosse utilizada por todas as pessoas em todas as circunstâncias e sem exceção (tornando-se lei universal). Se a resposta for sim, então a ação é moralmente permitida; se não, moralmente proibida.

Somos tentados a abrir exceções a nosso favor, porque pensamos nas consequências delas, e nem sempre são boas (a nós, claro). Entretanto, não podemos ter certeza das consequências de nossas ações. Segundo Kant, é melhor evitar o mal conhecido, pois ainda que as consequências sejam más, estaremos justificados, pois cumprimos o nosso dever moral.

 

Ética nietzschiana

Friedrich Nietzsche

Friedrich Nietzsche

Nietzsche propôs uma nova abordagem sobre a genealogia moral, a formação histórica dos valores morais. As concepções morais são elaboradas pelos homens, a partir de interesses humanos. E as religiões têm papel fundamental nisso, pois impõem valores humanos como sendo produtos da “vontade de Deus”. Ele chegou à conclusão de que não existem noções absolutas de bem e mal. Afinal, se os valores morais são produto histórico-cultural, logo, também são mutáveis.

A grande crítica de Nietzsche às éticas socrática, kantiana e cristã, é a de que estas são “morais de rebanho”. O conceito de ética universal coincide com os preceitos de uma religião que tenta controlar as paixões e assim, homogeneizar os homens. A individualidade, tão valorizada por Nietzsche, acaba sendo diluída no meio do rebanho.

Jesus, o Cristo

Jesus, o Cristo

Nietzsche busca a “transmutação de todos os valores”, questionando o conceito de bem e mal em busca de novos valores “afirmativos da vida”, como a vontade, a criatividade e o sentimento estético.

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