A realidade oculta, Brian Greene

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A realidade oculta, Brian Greene

Por muito tempo, a palavra Universo significou tudo o que existe e, por isso, num primeiro momento “multiversos” soa como uma contradição, já que sugere mais de um Universo. Conforme a ideia de multiverso foi se desenvolvendo, a interpretação de universo precisou ser alterada de modo a representar porções da totalidade a que alguém pode ter acesso. Muitas teorias sobre multiversos procuram explicar suas origens e como funcionam, seja partindo dos mesmos princípios, como a teoria das cordas, por exemplo, ou então de ideias diferentes, e Brian Greene em seu livro A realidade oculta, publicada pela Companhia das Letras em 2012, procura mostrar como todas essas teorias levam a uma única resposta: universos paralelos existem.

Uma dessas teorias é a do multiverso inflacionário, que afirma uma expansão rápida inicial do cosmo, dada por uma pressão negativa que gera uma gravidade repulsiva. O responsável por essa expansão seria o campo ínflaton, um campo hipotético que tem valor uniforme por toda a região do espaço, preenchendo essa região não só com energia, mas também com pressão negativa. O valor de um campo pode mudar e isso faz com que a gravidade repulsiva opere apenas durante um breve período de tempo. No início, o ínflaton estava com alto nível de energia potencial e pressão negativa, o que desencadeou um surto de expansão inflacionária, descarregando assim sua energia potencial. Com essa queda, a energia e a pressão negativa nele contidas se dissipam e tem-se o fim do período de expansão intensa e rápida. A energia do ínflaton dissipada condensa-se então em uma sopa de partículas que enchem o espaço. A teoria inflacionária explica a temperatura uniforme do universo: quando tudo estava condensado e bem próximo, havia um equilíbrio térmico estabelecido, de modo que tudo se expandiu tão rápido que não houve tempo suficiente para a temperatura mudar em alguns lugares. Houve desde então um resfriamento progressivo, mas a uniformidade estabelecida antes determina o resultado constante de hoje.

Uma ótima analogia visual para enxergar esse multiverso inflacionário é imaginá-lo como um queijo suíço, onde o material do queijo é a região onde o campo do ínflaton tem valor alto e os buracos onde ele diminui. Esses buracos seriam as regiões como a nossa que deixaram a expansão super-rápida e converteram a energia do campo ínflaton em partículas, também chamados de universos-bolha. As partes cheias de queijo expandem-se cada vez mais por estarem submetidas à expansão inflacionária. Se a construção física da teoria inflacionária for eterna, então o multiverso é inevitável. Um número infinito de ocasiões com um número finito de combinações garante um número infinito de repetições, supondo que o Universo seja infinito. Há um limite para a quantidade de matéria e energia que pode existir dentro de uma região do espaço de um tamanho determinado. O número de diferentes configurações possíveis das partículas que existem dentro de um horizonte cósmico é finito. Logo, com um número finito de arranjos possíveis de partículas, esses arranjos terão de repetir-se um número infinito de vezes, garantindo universos idênticos, como outros iguais ao nosso, outros parecidos, com muitas semelhanças, mas com constantes da natureza diferentes das nossas por exemplo, ou até mesmo totalmente incompatíveis com a vida. Os universos do multiverso podem ter diferentes características físicas, ainda que todos os universos sejam governados pelas mesmas leis fundamentais. Com o tempo, esses retalhos cósmicos aumentarão e se superporão, ou seja, os universos paralelos serão fundidos. No multiverso inflacionário, os universos podem colidir: se duas bolhas se formam relativamente próximas uma à outra, o espaço entre elas poderá ser tão pequeno que sua taxa de separação será menor do que sua taxa de expansão.

Durante anos, físicos e cientistas do mundo todo buscam por uma teoria de tudo, que possa unificar toda a natureza. Atualmente, a grande candidata a teoria de tudo é a teoria das cordas, que garante a união entre a gravidade e a mecânica quântica e também a unificação de todas as forças, entre outras coisas. A teoria das cordas diz que as partículas fundamentais da matéria são filamentos semelhantes a cordas e não pontos adimensionais, e que por causa das limitações do poder de resolução dos nossos instrumentos as cordas nos aparecem como pontos. A teoria das cordas resolve o problema da unificação, pois as cordas, diferente das partículas puntiformes que existem em único local, são dotadas de extensão espacial e apresentam uma pequeniníssima dispersão, o que dilui as turbulentas flutuações quânticas que prejudicavam as tentativas anteriores de juntar a gravidade com a mecânica quântica. A teoria das cordas não se trata apenas de cordas, mas também de membranas, que também são capazes de vibrar como as cordas. Essas membranas também podem ser chamadas de branas. Chegamos então à outra teoria de multiverso: o multiverso das branas. Assim como as cordas podem ser enormes de acordo com a quantidade de energia, as branas também podem e a teoria diz que, inclusive, estamos vivendo em uma delas. Analogamente, essa brana seria como uma única fatia de pão de forma, correspondendo ao nosso universo, e todas as outras fatias do pão também seriam outros universos. As cordas e as branas estão relacionadas pois as branas são o único lugar em que as pontas das cordas-traços (as cordas podem ter forma de laços fechados ou traços) podem residir. Se nos chocássemos com outra brana, a energia contida em seu movimento produziria um enorme fluxo de partículas e radiação que eclipsaria todas as estruturas organizadas e haveria então um ambiente quente e denso, conforme as condições do Big Bang. Muitos outros assuntos foram discutidos pelo autor, como buracos negros e energia escura, e nove teorias sobre multiversos foram abordadas no livro A realidade oculta, aqui foram tratadas apenas duas: o multiverso inflacionário e o das branas, visto que estas são suficientes para dar noção sobre o objetivo do autor com este livro.

Quando se trata de divulgação científica, a didática é fundamental e para isso, o uso de analogias é muitas vezes indispensável. O público alvo de um livro como esse não é alguém pós-graduado na área ou com conhecimentos específicos de determinado assunto, nem pode ser. Afinal, o objetivo deve ser tornar o conteúdo científico acessível ao público leigo, e neste ponto, Brian Greene não respondeu de acordo às expectativas. Claro que essa tarefa não é fácil, visto que o livro traz um conteúdo denso e de difícil interpretação. O objetivo do autor com este livro, entretanto, foi alcançado plenamente, já que sua conclusão sobre multiversos foi bem argumentada, inclusive usando nove teorias distintas que a justificam. O texto todo é bem estruturado e com conteúdo histórico importante pra se entender algumas das ideias trabalhadas. A realidade oculta é um ótimo livro pra quem já tem interesse por assuntos como universos paralelos, teoria das cordas, buracos negros e matéria escura, e também algum conhecimento prévio sobre, pois aproveitará melhor a leitura.

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Criação Imperfeita, Marcelo Gleiser

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Criação imperfeita, Marcelo Gleiser

Há tempos, cientistas do mundo todo buscam por uma teoria que unifique o cosmos e explique todo o comportamento do Universo. Essa teoria, chamada de teoria de tudo, seria a responsável por interligar a física do muito grande (que rege o funcionamento do Universo) e a do muito pequeno (que rege o funcionamento de partículas elementares da matéria, por exemplo). Em seu livro Criação Imperfeita, Marcelo Gleiser mostra como a Natureza é imperfeita e o cosmos repleto de assimetrias que foram essenciais para o surgimento da vida. A partir disso, ele argumenta que a teoria de tudo não pode existir, já que a Natureza não se comporta de modo simétrico, logo, não faria sentido uma única teoria explicar todo o seu funcionamento.

Muitas teorias são aceitas como verdades em determinada época, até que se prove que estão incorretas anos mais tarde. Kepler, por exemplo, acreditava que os planetas do sistema solar não eram 6 (até então, Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno) por acaso, já que existiam 5 poliedros regulares conhecidos desde o tempo dos gregos, e concluiu então que entre um planeta e outro havia um sólido geométrico. Até o século passado, cientistas acreditavam que a luz precisava de um meio para se propagar, chamado éter, conhecido desde a época dos gregos antigos. Em 1887, Michelson realizou um experimento que, caso existisse, o éter obrigatoriamente seria detectado. Entretanto, os resultados obtidos não mostraram nenhum sinal de qualquer substância que pudesse vir a ser o éter. Michelson morreu acreditando no éter, mesmo seus experimentos provando o contrário. O desejo de acreditar em algo impossível torna-o plausível.

Michael Faraday unificou a eletricidade e o magnetismo a partir de experimentos nos quais percebeu que ambos se tratavam de um único fenômeno, o eletromagnetismo. Sua ambição era unificá-los também com a gravitação, porém, não obteve sucesso. Maxwell equacionou as observações de Faraday e provou que a luz é uma onda eletromagnética e não precisa de meio para se propagar. Entretanto, a unificação da eletricidade com o magnetismo é imperfeita. Enquanto existem monopólos elétricos, não foram detectados até hoje monopólos magnéticos. Ao se quebrar um ímã (com pólos magnéticos norte e sul em cada extremidade), são obtidos dois novos ímãs, cada um com pólos norte e sul.

A Natureza também aparenta ter várias preferências, como, por exemplo, há mais matéria do que antimatéria no Universo. Se a quantidade de ambas fossem comparáveis, a aniquilação entre as duas seria inevitável e geraria uma enorme dose de raios gamas e apenas alguns prótons e antiprótons teriam sobrevivido, o que seria pouco para gerar todas as estruturas que observamos no Universo. Ou seja, sem essa assimetria, muito provavelmente não estaríamos aqui.

A operação de paridade matematicamente, transforma um objeto em sua imagem no espelho. Quando aplicada a uma partícula que gira, pode inverter o sentido da sua rotação (spin). Entretanto, neutrinos não são simétricos de acordo com a operação de paridade, ou seja, eles possuem uma orientação espacial preferida, neutrinos apenas interagem com a matéria girando da direita para a esquerda. A assimetria rotacional dos neutrinos é descrita pelo nome de quiralidade, como também ficou conhecida a assimetria de certos compostos orgânicos. Pasteur realizou experimentos com o ácido tartárico, um composto orgânico comum em uvas e descobriu que as moléculas do ácido podem existir em duas formas, idênticas, mas que não podem ser superpostas, como uma imagem refletida da outra. O ácido sintetizado trazia os dois tipos de moléculas, enquanto que o encontrado nas uvas apresenta sempre um único tipo de molécula, ou seja, a Natureza exibe uma assimetria molecular. Entretanto, a orientação espacial não é a única onde o Universo faz suas preferências. O cosmos também tem uma orientação temporal preferida. Apesar de existirem sistemas que obedecem à reversão temporal, ou seja, não exibem uma direção fixa no tempo podendo evoluir nos dois sentidos sem qualquer diferença, como um pêndulo oscilando no vácuo, por exemplo, ou um fóton colidindo com um elétron, é fácil notar que a Natureza se desloca no tempo sempre no sentido passado – futuro.

Essas e muitas outras assimetrias do Universo são o que possibilitou que este tivesse as condições necessárias para que fosse como o conhecemos hoje e mais, para que a vida surgisse e estivéssemos aqui. Esperar encontrar uma única teoria que explique todo o comportamento e funcionamento do Cosmos, com suas assimetrias e imperfeições, é uma perda de tempo. Afinal, nosso conhecimento do mundo é limitado pelo que nossos instrumentos de medida podem medir e pelo que podemos observar, nunca seremos capazes de medir tudo o que existe, logo, uma teoria de tudo não faz sentido. Não vamos obter uma única resposta final pra tudo, mas sim sequências de descrições cada vez mais precisas do Universo. Mesmo que um dia tenhamos uma visão universal e imparcial do cosmo, sem subjetividade, ainda assim o Universo continuará a ser uma construção humana. “O Universo é o que vemos dele”, segundo Marcelo Gleiser.

Seu texto flui bem e apesar do conteúdo ser muitas vezes considerado de difícil compreensão, ele é extremamente didático e claro, explicando cada termo e expressão de modo que qualquer um sem formação na área possa acompanhar. O autor também argumenta e justifica muito bem as suas opiniões, sendo objetivo na medida certa e seguindo uma linha de raciocínio bem construída. Diferente do autor, acredito na possibilidade de que o cosmos seja uma unidade, mas que, mesmo se for, não está ao alcance do conhecimento humano, visto que para se obter uma teoria que explique tudo é necessário primeiramente, conhecer tudo. Apesar da teoria das cordas ter potencial para ser a teoria de tudo, muito do que ela impõe ainda precisa ser provado empiricamente. É claro que a teoria das cordas é promissora, não há como testá-la diretamente. Este é um dos maiores problemas das teorias modernas, segundo Gleiser, elas não podem ser refutadas, somente comprovadas.

Sexta parte – A Grande Marcha

“ Sexta parte – A Grande Marcha

1.

Só em 1980 se soube da morte do filho de Stálin, Iacov, por um artigo publicado no Sunday Times. Prisioneiro de guerra na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, ele ficou no mesmo campo que os oficiais ingleses. Tinham latrinas comuns. O filho de Stálin as deixava sempre sujas. Os ingleses não gostavam de ver as latrinas sujas de merda, mesmo que fosse a merda do filho do homem mais poderoso do universo na época. Chamaram-lhe a atenção. Ficou aborrecido. Repetiram as repreensões e o obrigaram a limpar as latrinas. Ele se irritou, vociferou, brigou. Finalmente, pediu uma audiência ao comandante do campo. Queria que ele fosse o árbitro da discussão. Mas o alemão estava imbuído demais de sua importância para discutir sobre merda. O filho de Stálin não pode suportar a humilhação. Bradando aos céus palavrões russos atrozes, jogou-se contra os fios de alta-tensão que cercavam o campo. Deixou-se cair sobre os fios. Seu corpo, que nunca mais sujaria as latrinas britânicas, ficou ali dependurado.

2.

O filho de Stálin não teve uma vida fácil: filho da união entre o pai e uma mulher que, ao que tudo indica, acabou sendo fuzilada por ele, o jovem Stálin era, portanto, ao mesmo tempo filho de Deus (pois seu pai era venerado como Deus) e amaldiçoado por ele. As pessoas tinham medo dele em dobro: podia lhes fazer mal com seu poder (afinal, era o filho de Stálin) e com sua amizade (o pai podia castigar o amigo no lugar do filho repudiado).

A maldição e o privilégio, a felicidade e a desgraça, ninguém mais do que ele sentiu tão concretamente como esses opostos são intercambiáveis e como é estreita a margem entre os dois polos da existência humana.

Logo no início da guerra foi capturado pelos alemães e acusado de sujo por prisioneiros provenientes de uma nação que considerava incompreensivelmente reservada e pela qual sempre tivera, por isso, uma antipatia visceral. Como podia ele, que carregava nas costas o drama mais sublime que se possa conceber (era ao mesmo tempo filho de Deus e anjo caído), ser julgado e, ainda por cima, julgado não por coisas nobres (relacionada com Deus e com os anjos) mas pela merda? O drama mais nobre e o incidente mais trivial estariam tão vertiginosamente próximos?

Vertiginosamente próximos? A proximidade pode causar vertigem?

É claro que sim. Quando o pólo norte se aproximar do pólo sul quase a ponto de tocá-lo, o planeta desaparecerá e o homem ficará num vazio que o atordoará e o levará a ceder à sedução da queda.

Se a maldição e o privilégio são uma só e única coisa, se não existe diferença entre o nobre e o vil, se o filho de Deus pode ser julgado pela merda, a existência humana perde as suas dimensões e adquire uma leveza insustentável. Assim, o filho de Stálin corre para os fios eletrificados e se atira neles como no prato de uma balança que sobe, lamentavelmente, elevado pela leveza infinita de um mundo que já não tem dimensões.

O filho de Stálin deu a vida por merda. Mas a morte por merda não é destituída de sentido. Os alemães que sacrificaram a vida para ampliar seu império em direção ao leste, os russos que morreram para que o poder de seu país se estendesse em direção ao oeste, esses, sim, morreram por uma tolice e a morte deles é destituída de sentido e de qualquer valor geral. Em contrapartida, a morte do filho de Stálin foi a única morte metafísica em meio à idiotia universal da guerra.”

– A insustentável leveza do ser (Milan Kundera)

 

Situações perturbadoras vividas pelos sírios. Ou eles vivem em seu país de origem (quase inabitável por seus mais de quatro anos de guerra), onde o medo preenche a falta de segurança, ou são obrigados a correr o risco de sair do país e deixar para trás toda a vida que tiveram até então.

Supondo que eles consigam chegar com vida até a Europa, o que fazer caso os países europeus não permitissem que entrassem? Viver como andarilhos? Se submeter à vergonha moral de ter relações sexuais com os oficiais nas fronteiras para que permitissem a passagem de pelo menos seus filhos? E quando eles chegassem lá iriam ter o necessário para não viver em miséria? Sofreriam preconceito?

Em contrapartida, alguns países justificam não aceitá-los por causa dos casos de estupro que aumentaram quando os imigrantes atravessavam as fronteiras, com o fato de que eles tirariam o emprego dos que viviam nesses países ou que não tendo trabalho, a violência, o roubo e todos os outros índices ruins do país aumentariam.

O mundo dividido entre os dois polos (vertiginosamente próximos) da existência humana.

Será que o problema está mesmo da segurança interna do país? Talvez, no fim das contas, seja principalmente pelo medo egoísta de miscigenação ou da divisão dos bens do país. Talvez o que esteja acontecendo seja a ideia de superioridade sendo colocada em prática. Talvez seja a falta de humanidade, que no fundo sempre esteve ausente, vindo à tona.

E isto não ocorre apenas na Europa, mas, ironicamente, há falta de humanidade na humanidade. Que persiste em continuar com as guerras e com a ideia de nacionalismo que impõe barreiras entre os países. Que continua a pensar que qualquer fator econômico é mais importante que salvar uma vida ou que só porque o problema está longe não existe motivo pra ajudar.

Assim, enquanto pessoas morrem no Mar Egeu, a falta de humanidade continua ao dizer “não tenho dinheiro” e logo em seguida ir a algum restaurante almoçar, continua quando não se dá um sorriso pra quem se sente rejeitado e repulsivo, ou quando manter a casa limpa é mais importante do que o cachorrinho passando frio enquanto dorme pra fora.

 

 

 

O beijo de Juliana, de Osame Kinouchi

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O beijo de Juliana, Osame Kinouchi

Em O gene egoísta, obra que visa explicar a evolução na perspectiva do gene e não do organismo, Richard Dawkins trata o sorriso como um mecanismo que foi selecionado pois permite aos pais saber quais de suas ações são mais benéficas a suas crias, de modo que a partir do ponto em que um sorriso passa a ser algo recompensador, este pode ser usado como uma ferramenta de manipulação, ou seja, o gene de um indivíduo que sorri tem mais chances de sobreviver. A partir dessa perspectiva, até que ponto pode-se considerar o beijo de uma criança como algo puro e verdadeiro e não com motivação puramente egoísta? Existe solidariedade que não emerge do egoísmo? Vale a pena se preocupar com esses paradoxos?

O beijo de Juliana não é um livro de respostas, mas um lugar onde opiniões diferentes se encontram. O livro é composto por e-mails que foram trocados por quatro físicos onde estes falam de forma totalmente descontraída sobre assuntos diversos, como futebol, política, religião, felicidade, ciência, filosofia, pensamento humano, vida, cada um apresentando sua cosmovisão seja questionando, provocando, afirmando, de modo a deixar a leitura intrigante e diferente das demais que também tratam desse tema.

Quanto mais o texto caminha, mais desperta curiosidade, já que este vem apresentando questões que são sempre seguidas por uma discussão, de modo que são lidas já se esperando pela opinião que cada um irá expor. É um livro que provoca e que inevitavelmente faz com que se reflita sobre pontos que todos nós já pensamos antes, mas a partir de uma perspectiva diferente agora, ou até mesmo que nunca foram pensados.

Ao que cabe a mim concluir, o livro alcançou um de seus objetivos se este for fazer com que se reflita sobre a distância que há entre o conhecimento científico e a vida humana, os dilemas que surgem nessa distância e como estes se relacionam entre si. Se fosse possível resumir sua essência em uma só frase retirada do próprio livro, ‘Já pensaram dessa maneira antes?’ faria um bom papel. Entretanto, há muito mais nesse livro do que pode caber em uma frase.

Os sapatos vermelhos

Os sapatos vermelhos estavam ali. Parados. Esperando serem usados. Mas não por qualquer um, pois queriam apenas uma garota. A que estava deitada a uns 500 metros de onde o sapato estava.

A vida desta garota era lindamente fácil. Fazia coisas legais a todo o segundo. E eram realmente legais. Ela adorava ouvir blues, rock e até um pouco de reggae. (Os sapatos dela eram pretos, um preto muito vivo). E enquanto ouvia essas músicas, a sua mente dançava. Não com o corpo, porque era superficial para ela, mas com a alma, com o espírito que a levava a jardins floridamente pretos e noturnos. Não apenas na música, mas em outras coisas ela também se destacava como no gosto pelas cores. Uma época pensou que fosse amarelo, a sua cor preferida, e de fato, ela ainda sentia brilhos solares em sua barriga quando via essa cor.Porém uma cor em especial, passou a cativá-la mais do que nunca. (Morango. Pimenta. Coração).  Sim, vermelho era a sua cor. Com ela, sentia a suavidade de rosas, a luxúria de casas mal-assombradas, e o fervor de pimentinhas ardidas. O seu amor por HQ’s era estranhamente lindo, porém diferente das outras pessoas, que sabiam de tudo sobre todos os super-heróis. Ela os amava, mas tinha as suas preferências.

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Ela não falava. Às vezes até queria. Mas preferia ouvir e conversar com seus próprios pensamentos e medos. Como num dia, que irei narrar a seguir.

“A garotinha da cor vermelha estava temerosa. Acabara de ver o vulto assustador. Ela não podia fazer nada (e não podia mesmo), então resolveu conversar com o tal Tranido (nome que ela deu ao monstro por achar fofo). E foi assim:

– Querido Tranido, por que me assombras assim? – perguntou timidamente, e para sua surpresa ele respondeu:

– Minha sssssssssss cara vermelhinha, peço perdão pela sombra, ssssssssssss, mas a minha vergonha é maior do que a sua – falou Tranido, mais timidamente ainda.

– Então já que não és mau, acho que não haverá mais motivos para a minha timidez. Muito boa noite Sr Tranido, gostaria de compartilhar comigo um banho de arroz?

O resto da história já deve ser fácil de imaginar; criaram uma amizade fofamente amiga, e o único temor que ela tinha era agora do amanhecer”.

A nossa menina adorava sociologia, estudar o comportamento das pessoas… Ela fazia isso sempre, com os olhos, apenas.

Mas mais do que todas essas coisas, a pequena garota amava a sua gata, que se chamava Ane Marie. Um nome um tanto engraçado, mas com ele dá pra formar muitas coisas, como Mari Ane. Essa pequena gatinha que a amava também, a todo instante subia em seu colo sentado e se remexia deixando até um pouco de inveja na menina avermelhada. Mas o amor era tanto, que era impossível deixar a inveja vencê-lo. Por mais estranho que pareça, era aquela gata que lhe ensinava a vida. E a essa gata, ela daria tudo o que tinha e conseguiria o que não tinha para tê-la também.

(Um detalhe importante do qual me esqueci de comentar. A garotinha adorava meias de dedinho)

(Outra observação. Para entender a incrível história da menina e da gata, você terá que ler outra história, chamada Uma fita vermelha na bola de lã).

Nessa parte da história haverá dois problemas vermelhamente infelizes, que planejava deixá-los para o fim, porém, será impossível prosseguir com a história sem o conhecimento do leitor sobre esses fatos.

O primeiro é o nome da menina. Seu nome era Lola. E ela o amava. Na verdade, era seu nome preferido depois de Ane Marie, por causa de seu amor pela gata.

O segundo problema, e o menos importante, é o fato de a garota ter paralisia completa. Ela não mexia nada, nem um só músculo. Na verdade, mexia as pálpebras e conseguia movimentar levemente as suas narinas e suas orelhas, mas só depois de muito treino com Ane Marie.

Voltando a sua vida… Lola um dia passeava pela rua com sua gata e sua cadeira negra. Caía um leve orvalho. Quando se deparou com os sapatos vermelhos mais encantadores de sua vida. No momento, ela o quis desesperadamente, mas apesar dos gostos burgueses já apresentados, a garota não tinha dinheiro. Então logo fez com que sua vontade descesse para o umbigo.

Ane Marie lhe sugeriu que entrasse para prová-los. Lola não resistiu e entrou rapidamente (ou rodantemente, como preferir). Quem estava lá dentro era um alguém, que colocou em seus pés os sapatos dançantes. Ao olhar para o garoto a princípio, não o viu, mas depois de colocar os sapatos, deduziu muitas coisas sobre o menino. Coisas que serão enumeradas a seguir.

1-      Amava coisas loucamente físicas e caóticas

2-      Universo❤

3-      Escrevia muito bem

4-      Tinha uma fofura jorrante

5-      MG para ele era Minas Gerais

 

Não sabia muitas coisas. Não sabia nada. Mas até que sabia bastante por um mero olhar. Ela não sabia bem o que era aquilo, mas a pessoa que tinha lhe posto os sapatos, a fazia sentir dentro de si uma girafa dançante, fazendo-a rir sozinha.

Depois disso, foi embora. Dizendo nada. Como sempre.

Porém no dia seguinte, os sapatos a chamaram novamente, e ela foi lá, sentir o sapato. Os encontros passaram a ser repentinos, ao ponto dela aprender algo mais sobre o menino. Seu nome? Era Tirano (e esse nome realmente a havia encantado também).

Numa manhã, de 8 de junho, algo lhe disse algo. E ela até que tentou conseguir mexer as orelhas o suficiente para tampá-las, mas as tentativas eram inúteis. Ouviu e ouviu, e levemente, e suavemente, sem perceber, seus dedos dos pés começaram a se mover. Reação da menina? Nenhuma! Ela não havia sequer percebido, mas algo havia. Um sorriso. Um sorriso de uma gata. Como os dos gatos de Cheshire.

Naquela noite, seus movimentos aumentaram; assim como no dia seguinte também. E o que havia? Havia um sorriso. Havia um Cheshire.

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Os movimentos aumentavam e aumentavam, até que pararam de progredir. O que faltava? Lola não sabia dizer, porque havia dois dias que tinha conseguido comprar o sapato que tanto queria. Não era possível o causador da falta de progresso ser o vermelho. Mas essa era a opinião de Ane Marie. E por confiar em sua gatinha de olhos e mãos vendadas, devolveu o sapato à loja. E dessa vez houve um convite e houve uma resposta.

– Volte aqui amanhã – Disse Tirano – Se não o quis em sua casa, prossiga com o que fazia antes de comprá-lo.

E já com a fala desenvolvida, Lola disse:

– ‘-‘ Ok, eu virei.

E veio, e provou,  então algo de novo começou…

Lola sairia algum dia de sua cadeira negra? Um grande pequeno sorriso dizia que sim. Ela vermelha? Nada dizia, apenas vivia, ouvia, aprendia e se mexia.

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Após ter o completo movimento de seus braços, Lola fez algo. Fez um poema. E a todos citarei, pois há algo nele que me deixa boquiaberto. E isso é a resposta. A resposta que Lola encontrou, mesmo sem saber, foi o amor. Ela amava aquele menino? Talvez ainda não o amasse, mas o amor estava ali, de um jeito ou de outro. Seja através do sapato, ou do vermelho. Ali ele era.

“Doce cereja que agora almofada os meus pés,

Cubra-me também nas mãos, e talvez eu veja o que és

Mas talvez nem nas mãos, nem nos pés precise estar para que eu te descubra

Talvez precise estar em minha unha

Mas minhas unhas são pequenas, são duras

Quero mesmo que você esteja onde os olhos não procuram

Esteja nos ovos de manhã

Esteja no bacon do cutãn

Mas esteja também nos pés que me assombram

Nas danças que me aguardam

E no poço de água que recolho no verão

Esteja no pimentão do macarrão

E nas meias enfeitadas de pimentas

Esteja em cubículos em minhas bochechas

E em tiras nas geladeiras

Espero que ao olhar para o pôr do sol eu veja você

E ao acordar abrace um lance

de escadas brilhantes

E que balance o lustre cantante

No fim das contas, quero você em um só lugar

Em todo momento

Que tal você ficar comigo no relento?

Porque no relento você o fará de novo

Você se colocará nos meus pés com muito entoo

E por favor, isso te peço com certeza

Nunca saia dos meus pés, para não tirar minha clareza

E que mesmo que você fique sujo,

Que o orvalho do amor repare tudo!”

– Camila Matias  09/06/14    21:30

Princesa Brazul termina um jantar com um terrível pisão no pé da princesa Goiabada

A tempestade clarida

Trouxe uma vaca

Manchada

Trancada

Asmática

E a cabeça da cabeçuda

Dizia algo da carrancuda

Nunca beba a limonada

Nunca coma as tortas encharcadas

Mas o que mais dizia

parecia

aquarela

“Cortem a cabeça dela!!!”

O cabelo levantado

e estupefato

Também dizia algo

Quer você goste ou não dela,

aquele gado pertence a ela

E os gnomos abaixados com o bumbum pra cima

Entoavam sempre a mesma sinfonia

“Suba no trem!” “Suba no trem!”

É o que diziam

O que havia com aquele apontador mágico

que pulava para um lado?

Uma dança giratória havia

Um burro jumento existia

E o Rambo grunhia

O que grunhia?

Grunhia um feijão soviético abraçado

E escancarado

No Capitalismo Sênior

No rio de horror

João Pessoa ria, nu

E balançava a cabeça como um urubu azul

Tipo a princesa Brazul

Que usava um vestido cor de anu

E que essa coisa anuada

não enrosque no pé da Goiabada

Na doce princesa das goiabas

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História da acústica

Quando olhamos para a história da física, vemos como esta passou por muitas mudanças até chegar no que entendemos hoje. Desde o Egito Antigo, é possível notar a importância que a música, e consequentemente o som, tinha para aquela civilização e como os conceitos da acústica foram evoluindo até aqui.

Na China, o estudo da música e do som era basicamente centrado na medição. Os chineses classificaram o som por timbre e por altura e especificaram escalas musicais, o que exigia uma afinação perfeita. Eles foram aprimorando suas habilidades com a afinação usando sinos, já que um sino bem afinado podia ser usado como padrão, de modo que se outro sino tocasse em ressonância, estava devidamente afinado. Em 270 a.C., um ministro do Imperador Huangundi, Lin Iun, foi encarregado de estabelecer um padrão de altura para a música, o que chamamos de pitch. Ele obteve sua nota a partir de uma haste de bambu.

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Som sendo captado pelo ouvido humano

Já na Grécia, muitas foram as pesquisas relacionadas a acústica, que para Pitágoras e seus discípulos, refere-se a natureza do som e a teoria matemática da escala. A Escola Pitagórica determinou a escala a partir dos números inteiros pequenos, com base nos acordes produzidos por cordas vibrantes. Para Euclides, a altura do som aumenta com o número de movimentos produzidos. Ele admite também que o número das vibrações é inversamente proporcional ao comprimento da corda em vibração. Arquimedes de Siracusa determinou a lei do inverso do quadrado da distância para a intensidade acústica e Héron sugeriu que o ângulo de incidência do som em um sólido é igual ao ângulo de reflexão, de modo que assim, foram determinados os dois princípios fundamentais da acústica geométrica, base fundamental da arquitetura dos teatros gregos.

Guido D’Arezzo foi um monge beneditino italiano que regia o coro da Catedral de Arezzo. Ele foi o responsável por atribuir as notas musicais pelas sílabas ut, re, mi, fa, sol, la, que coincidem com as iniciais dos versos que compõe o hino de São João Batista. A nota si só aparece no século XVI. Em 1673, surge a sílaba do que substitui ut.

Na Idade Média, as primeiras catedrais possuíam suas condições acústicas totalmente inadequadas. As abóbadas e cúpulas provocam uma série de reflexões e concentrações de som que dificultam a audição, problema que foi aumentado com o estilo gótico, pois as distâncias percorridas pelo som aumentaram e consequentemente, as reflexões também, de modo a aparecerem os ecos. Esse fenômeno favorecia o canto gregoriano, pois reforça a sensação de grandiosidade. A partir de 1600, surgem a melodia, a cadenza e o compasso, aumentando as possibilidades musicais.

Galileu Galilei, famoso representante do pensamento moderno, verificou que a sensação de altura musical é diretamente relacionada à frequência. Isso marca o início da física da música em sua concepção atual.

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Ondas longitudinais e transversais

Hoje sabemos que o som nada mais é do que ondas mecânicas, sendo a onda uma variação espacial, caracterizada pelo transporte de energia. Existem dois tipos de onda, as longitudinais, onde o movimento de oscilação é na mesma direção de propagação da onda, e as transversais, onde o movimento de oscilação é na direção ortogonal a direção de propagação da onda. O som é uma onda longitudinal.

História da ótica

Desde os tempos mais remotos, a ótica tem despertado interesse na humanidade e começamos com a questão mais fundamental: o que é a luz? Há muito os homens tentam responder essa pergunta, a começar pelos gregos, que acreditavam que os seres vivos têm uma tênue chama dentro dos olhos. Não demorou muito para essa ideia parecer absurda, então Aristóteles sugeriu que  não seria nem fogo, nem algo material, mas sim um estado do meio, de modo que a luz sai dos corpos e precisa de um meio para se propagar. Essa teoria foi evoluindo de modo que não havia mais a ideia de “fogo visual”, mas sim pequenas perturbações no meio que são detectadas pelo olho. Foi então com Euclides que a ideia de raio e ângulo foi introduzida; era necessário explicar como objetos muito maiores que o olho eram introduzidos nele.

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Experimento de ótica feito por Newton

Na Idade Média, Kepler introduz uma nova definição para a luz: emanação não material e divina. Entretanto, com o início do pensamento moderno, o mundo passou a ser visto com os olhos da razão, de modo que os pensadores abraçam as ideias de Kepler, porém abandonam sua parte “divina”. No século XVIII, pensadores como Newton e Copérnico passaram a explicar o fenômeno óptico através da associação ao modelo mecânico, que aflorara nesse período. Segundo Descartes, a luz é “perturbação transmitida por meio mecânico”.

Robert Boyle, cientista considerado experimentalista, foi o responsável por deixar a divisão entre dois conceitos muito importantes para a física bem clara: o fato e o modelo. O fato se define pela observação da natureza, pelo fenômeno em si, enquanto que o modelo vem depois do experimento, de modo a tentar explicar o fenômeno. Esses dois conceitos devem ser bem separados, pois assim o desenvolvimento da ciência se dá de forma mais rápida, já que, se o modelo estiver errado, pode-se partir novamente direto do fato, que não muda, e não desde o princípio. Gaston Pardies, introdutor do conceito de vibração, baseou-se no experimento de Boyle da bomba de vácuo e concluiu que como o som não se propaga no vácuo, logo a luz também precisa de meio para se propagar, sendo considerado o éter esse meio.

Durante o século XVII, Huygens, principal defensor do modelo ondulatório, acreditava que a luz era uma onda que se propaga através de um meio, o éter, pensamento oposto de Newton, que era defensor do modelo corpuscular, no qual a luz seria composta de partículas, conforme a publicação de sua obra “Óptica”, em 1704.

Com o século IXX, o modelo ondulatório ascendeu enquanto que o corpuscular declinou, por conta da detecção dos fenômenos de interferência e difração, característicos das ondas, na luz, de modo a concluir que esta só poderia ser onda. Ainda no século IXX, um grande passo na história da ótica é dado por Maxwell. Agora, ótica e eletromagnetismo não são mais duas áreas distintas do campo da física, mas sim a mesma. Maxwell provou na teoria que a luz é uma onda eletromagnética e possui velocidade de propagação definida. Essa velocidade foi medida experimentalmente por Hertz, que comprovou que a teoria de Maxwell estava certa. A ideia de o éter ser o meio de propagação da luz nunca foi constatada, de modo a ter sido abandonada.

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Decomposição da luz por um prisma pelo fenômeno de dispersão

Entretanto, com o caminhar da ciência, foram aparecendo problemas que a ótica ondulatória não consegue explicar. Agora, segundo Einstein, a luz não precisa de meio para se propagar e está relacionada a uma quantidade finita. É introduzido então o conceito de fóton, a quantização de energia. Com o modelo ondulatório, tínhamos uma absorção de energia linear: o elétron absorvia o quanto achasse necessário. Agora, no século XX, a absorção de energia é diferente: o elétron a absorve em pacotes, não mais uma quantidade arbitrária, mas sim um valor definido de energia.

Heisenberg se perguntou sobre como a luz podia se comportar de dois modos diferentes, ora como partícula, ora como onda, simultaneamente e vemos aqui um fim para o conceito dual da luz: nem onda, nem partícula, mas uma excitação quantizada dos modos normais do campo eletromagnético, ou seja, uma propagação de “nível energético”, energia.

Há muita coisa para se descobrir ainda a respeito da natureza da luz, toda a evolução desse conceito que vimos até então não passa da ponta do iceberg. Entretanto, como pudemos observar através da história, o progresso da ciência não para, de modo que ainda veremos a natureza física da ótica ser explicada de forma diferente e cada vez mais clara.

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